Final Fantasy Resonance, o primeiro título HD-2D da franquia, chega com uma promessa: trazer de volta o espírito clássico de um dos maiores RPGs da história. Mas, segundo a análise do Polygon, o jogo acaba sendo mais um capítulo do que uma evolução.
Desenvolvido em parceria entre Square Enix e Lancarse, o título é uma adaptação do antigo jogo mobile Final Fantasy Brave Exvius, com o intuito de deixar para trás os mecanismos predatórios de gacha e oferecer uma experiência mais completa, em formato físico. No entanto, isso não resolve os problemas estruturais do jogo.
O enredo segue o caminho tradicional da série: uma ameaça ao mundo, cristais mágicos em perigo e um grupo de heróis que precisa se unir para salvar o mundo. Apesar de personagens e nomes novos — como Rain, o protagonista com um nome que ecoa o clima do jogo —, os arcos narrativos são fortemente inspirados em títulos anteriores. Duas cavaleiras com ligação a uma aeronave? Lembra Final Fantasy 4. Uma garota com amnésia e poder sobre Espers? Um claro tributo a Final Fantasy 6.
Essa abundância de referências, embora possa agradar fãs nostálgicos, acaba se tornando um fardo. Em vez de inovar, o jogo se contenta em recriar fórmulas já testadas. O resultado é uma experiência previsível, que evita riscos — algo compreensível se considerarmos o histórico de Brave Exvius, onde narrativas arriscadas poderiam afetar o engajamento e os ganhos.
Apesar disso, há momentos em que o jogo brilha. Uma das cenas mais marcantes envolve uma sacerdotisa, com traços de personagens como Aerith e Yuna, que luta entre seu dever e o desejo de viver uma vida própria. É nesses instantes que a emoção transborda, mostrando que o coração da franquia ainda está vivo.
Contudo, essas luzes são poucas. Muitas vezes, o jogo parece apenas copiar o que já foi feito, sem conseguir se destacar diante de títulos mais ousados e bem-sucedidos da atualidade. A nostalgia, que funcionou no passado para atrair jogadores de gacha, não é suficiente para justificar o que falta em profundidade, originalidade e inovação.
Final Fantasy Resonance é, sim, um jogo de Final Fantasy — cheio de cristais, de heróis, de viagens épicas. Mas, em meio a tantas memórias, ele esquece de criar as suas próprias.
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