Final Fantasy Resonance, a reinterpretação do antigo jogo mobile Brave Exvius, chega com a promessa de ser uma ponte para novos jogadores — mas, após 12 horas de jogo, o resultado é mais um prato de conforto do que uma experiência completa.

Para quem cresceu nos tempos do 8 e 16 bits, o título pode ser um verdadeiro prazer: arte em pixel com toque HD-2D, combate turn-based simples e uma trilha sonora que evoca os grandes clássicos da série. Mas, fora desses momentos, o jogo se mostra vazio. A narrativa é uma das menos envolventes da franquia, com personagens que parecem caricaturas de arquétipos antigos, sem profundidade ou desenvolvimento.

O destaque está nos Visions — espíritos de heróis de outros jogos da série, como Cloud e Noctis. Para recrutá-los, é preciso passar por um quiz rápido com trechos de jogos antigos. É uma ótima forma de relembrar momentos marcantes, com cenas de jogos clássicos rodando ao fundo. Ao usar esses personagens em combate, é possível montar equipes com habilidades distintas, o que adiciona uma camada estratégica interessante ao sistema tradicional.

Apesar disso, os momentos mais marcantes são os visuais. A qualidade da arte em pixel é impressionante, especialmente na Switch 2, onde o jogo brilha em modo handheld. A sensação de ver personagens icônicos em movimento com esse estilo é o que faz o jogo valer a pena — ainda que os cutaways 3D, que aparecem quando os Visions usam habilidades especiais, sejam sólidos no primeiro uso e depois se tornem apenas uma distração.

Resonance é, acima de tudo, um jogo feito para fãs antigos. Se você não sente saudade dos tempos em que Final Fantasy era mais sobre mecânicas simples do que sobre emoção, é difícil imaginar como esse título conseguiria te atrair. Ainda assim, a beleza visual e o carinho com os clássicos mostram que a Square Enix sabe o que está fazendo — só que, no fim das contas, o jogo parece mais um álbum de fotos do que um novo capítulo da franquia.