Após 24 anos, Godzilla: Destroy All Monsters Melee Remastered chega para reacender o espírito de um dos jogos mais icônicos da era dos kaiju no videogame. Não é apenas uma atualização visual — é uma reinterpretação carinhosa do original que, mesmo com suas limitações, consegue se manter relevante em um mercado saturado de mecânicas complexas e sistemas de retenção.

Escolha entre 12 monstros da história do Rei dos Monstros — desde Godzilla até Gigan, Megalon e o lendário Ghidorah — e entre em batalhas épicas em cidades recriadas com detalhes que homenageiam o estilo de filmes em trajes de borracha. O combate é caótico, mas cheio de profundidade: cada kaiju tem movimentos únicos, estatísticas distintas e estratégias que se revelam com o tempo. Gigan ataca com garras de aço, Anguirus se protege com o casco espinhoso, e Megalon pode se esconder sob o solo para surpreender. O jogo exige mais do que mera pressão de botões — ele pede conhecimento, posicionamento e leitura de oponente.

Embora o modo solo seja limitado — com apenas cinco monstros e algumas fases liberadas no início — o sistema de progressão permite desbloquear o restante de forma flexível. Basta jogar, seguir pistas e desbloquear pesquisas. A sensação de conquista ao finalmente poder usar Ghidorah ou Rodan é real, mesmo que frustrante em momentos de multiplayer quando você quer jogar com um personagem que ainda está trancado.

O grande destaque, no entanto, está no multiplayer. Com opções locais e online, o jogo se transforma em uma festa de destruição. Partidas em quatro jogadores, combates em equipes e até desafios contra o CPU funcionam bem, mesmo que o sistema não permita misturar jogadores humanos com bots online. A conexão foi estável em testes, com alguns pequenos problemas de desconexão — principalmente nos momentos de vitória.

Gráficos atualizados mantêm o charme do original: os monstros parecem reais, mas ainda têm aquele toque de humor e exagero que define o universo Godzilla. O som é imersivo — os raios de energia explodem com força, os prédios desabam com efeito dramático, e o anúnciador parece estar se divertindo mais do que qualquer um dos jogadores. E claro, o famoso rugido de Godzilla está lá, exatamente como você se lembra.

Um ponto negativo claro é a ausência de um tutorial. O jogo não ensina nada — nem mesmo os movimentos básicos. Aprender é feito por tentativa e erro, com ajuda de amigos ou por meio de guias do original. Isso pode afastar quem busca uma entrada mais fácil, mas também é parte do encanto: o jogo exige que você se envolva, explore, descubra. E quando você entende o que está acontecendo, o prazer é imenso.

Em um mundo onde quase todos os jogos são dominados por sistemas de retenção, missões diárias e passes de batalha, Destroy All Monsters Melee Remastered é uma lembrança poderosa: o que importa não é o que o jogo faz por você, mas o que você faz com ele. É o momento em que você joga um amigo no vulcão com um power-up de Rage. É o grito de alegria quando um kaiju é derrubado com um uppercut. É a nostalgia de um tempo em que um jogo de monstros podia ser tudo.

É um jogo que não precisa de muita coisa para funcionar — só de um grupo de amigos, um console, um pouco de pizza e a vontade de se perder em uma batalha épica. E, no fim, isso é mais do que suficiente.