Clive Barker's Hellraiser: Revival é, sem dúvida, um dos jogos de horror mais ousados dos últimos anos. Lançado em 24 de setembro de 2026 para PC, PS5, Xbox Series X e Nintendo Switch 2, o título é uma reinvenção respeitosa do universo criado por Clive Barker — longe dos desastres direto ao vídeo que marcaram a franquia nos últimos anos.

Pinhead de volta, com alma e mistério

Voce conhece o personagem. Voce o teme. E, pela primeira vez em muito tempo, voce sente que ele ainda é o mesmo. Doug Bradley, o ator original, reprisa o papel de Pinhead com uma presença imponente e carregada de significado. Ele não é um vilão simplificado, mas uma força enigmática, um ser que representa os limites do que os humanos ousam tocar — e o preço disso.

Os Cenobites são usados com inteligência aqui. Eles não aparecem apenas para matar, mas para testar, punir e revelar. A atmosfera do jogo é densa, cheia de simbolismo, e a exploração do Labirinto — um lugar que parece vivo — é uma das experiências mais memoráveis em jogos recentes.

Combate pesado, mas com fôlego

Apesar de o jogo ter um ritmo acelerado e uma estética de terror visceral, o combate pode parecer superficial. Armas são limitadas, os inimigos caem com pouca resistência, e o uso de armas de fogo lembra um peixeiro — mais para efeito do que para impacto real.

Porém, tudo muda quando Aiden Lynch recupera a Genesis Configuration, a caixa misteriosa que o trouxe para esse mundo. Com ela, ele começa a dominar poderes sobrenaturais: lançar chamas, girar serras metálicas no ar como no estilo do Gravity Gun, ou até mesmo manipular o próprio espaço do Labirinto. Esses momentos são os mais cativantes, onde o jogo se liberta da mecânica básica e entra em seu território próprio.

Violência explícita, mas com propósito

Este não é um jogo para todos. A violência é extrema — flayings, estripamentos, corpos desmembrados, estátuas vivas de carne. Alguns momentos são tão perturbadores que parecem saídos de um sonho ruim. Mas, diferentemente de outros jogos de terror gráfico, aqui a crueldade serve à narrativa: ela mostra o preço do desejo desenfreado, da curiosidade proibida, da fronteira que não deveria ser cruzada.

Há referências diretas aos filmes originais, mas com uma nova camada de realismo digital que aumenta o impacto emocional. Um antagonista, em particular, lembra o Sander Cohen de Bioshock — mas com uma estética de arte corporal ainda mais perturbadora.

Um jogo para fãs, mas com alcance maior

Embora o jogo não seja perfeito — algumas áreas, como os esgotos e florestas, são repetitivas, e os ataques finais carecem de impacto — ele se consolida como uma das melhores adaptações da franquia Hellraiser em qualquer mídia.

Para quem conhece o trabalho de Clive Barker, o jogo é uma verdadeira carta de amor. Para quem gosta de horror com profundidade, é uma jornada obrigatória. E, para o mercado brasileiro, com preço em torno de R$ 180 (equivalente a £32,95), é uma opção de valor para quem busca um título com identidade forte e atmosfera inesquecível.