Phantom Blade Zero está se destacando como um dos games de ação mais estilosos do ano, mesmo em meio a uma saturação de títulos com protagonistas com espadas e combate exigente. Apesar de inicialmente não me chamar a atenção, depois de apenas cinco minutos jogando, fiquei impressionado com o nível de refinamento do sistema de combate, que lembra o melhor de Sekiro.
O jogo exala estilo desde os primeiros segundos: um personagem interpretado por Donny Yen equilibra um bebê em sua lâmina enquanto enfrenta inimigos, um boss é uma dançarina de leão chinesa com movimentos complexos, e até o diálogo com um monstro fantasmagórico sobre qual coração escolher já deixa claro que este não é um game comum. A atmosfera é densa, cheia de detalhes visuais e narrativos que reforçam o tom metálico e exuberante do universo.
O combate é o coração do jogo. Cada movimento — parar, contra-atacar, executar combos aéreos — é extremamente satisfatório. Um momento marcante foi dominar um vagão puxado por cavalos enquanto bloqueava tiros com a espada, ou realizar um duplo chute perfeito para manter dois inimigos afastados ao mesmo tempo. O sistema de parada é preciso, e a sensação de dominar o combate é constante. A sensação de ser o único capaz de fazer certas coisas é quase imediata.
Além do estilo, o jogo oferece uma variedade impressionante de armas. Cada uma tem mecânicas únicas: uma espada de dois mãos que causa dano devastador, um estilo de luta bêbado que permite movimentação imprevisível e até lançar a espada como arma de alcance. A adaptação entre armas exige tempo, mas recompensa com profundidade e diversão.
Os combates contra chefes são um dos destaques. Desde lutas contra um homem encapuzado com lâminas encadeadas até um duelo com dançarinos de leão, cada um traz um desafio distinto. Um dos mais memoráveis envolveu uma luta com uma "senhora-serpente", onde a leitura de movimentos era essencial. Outro, contra um leão dançarino, exigiu criatividade para superar sua armadura quase impenetrável — e o resultado foi uma das animações mais impressionantes que já vi em um jogo de ação.
Donny Yen, no papel de Mó Yuan, é uma presença dominante. Sua atuação e presença no jogo são tão fortes que ele se torna um dos momentos mais marcantes da experiência. A forma como ele se conecta com a história e os combates é surpreendente, e não se limita a ser apenas um boss poderoso.
Os níveis são densos em segredos, missões secundárias e áreas ocultas. Encontrei armas e gadgets que outros jogadores não viram, descobri um boss opcional e explorei um labirinto subterrâneo cheio de tesouros. A estética — que mistura wuxia com design industrial — cria ambientes únicos, como uma fábrica no meio de uma vila montanhosa. As missões secundárias são curtas, mas ajudam a expandir o mundo e oferecem mais momentos de combate, sem serem excessivas.
A história, por enquanto, é apenas um começo. O protagonista tem 66 dias para viver e busca cura e vingança, um arco comum, mas os primeiros elementos sobre o relacionamento com Mó Yuan geram interesse. Ainda falta ver o desenvolvimento dos grandes momentos narrativos, mas o potencial está lá.
Porém, há um alerta técnico. Apesar de jogar em um PC potente, notei quedas de framerate ocasionais e severas. Como o jogo será lançado apenas no PS5, a otimização será crucial. A equipe da S-GAME disse que o foco agora é justamente isso, mas é um ponto de atenção antes do lançamento.
Em menos de um dia, Phantom Blade Zero passou de um título desconhecido para um dos meus principais desejos de outubro. Com estilo, combate refinado, boss fights memoráveis e um mundo cheio de coisas para descobrir, ele tem tudo para ser um dos melhores games de ação de 2026 — desde que consiga entregar uma experiência técnica estável.