Outlast, um dos maiores nomes do gênero survival horror, quase não saiu do papel. Segundo o co-fundador da Red Barrels, Philippe Morin, a equipe foi rejeitada por diversas editoras durante o desenvolvimento do jogo, que não viam valor em um investimento de US$ 500 mil em um título de horror — preferindo gastar apenas US$ 50 mil em 10 jogos mobile.

Após tentar convencer a Ubisoft a produzir um jogo de terror e se sentir frustrado com o cenário do mercado, Morin saiu da empresa e formou uma equipe de 10 pessoas com ex-desenvolvedores de grandes estúdios. O objetivo era criar um jogo de terror, mas a busca por uma editora foi um dos maiores obstáculos.

"Nós pensávamos que conseguiríamos um pitch em três ou quatro meses e, logo, veríamos se o projeto funcionaria", contou Morin em entrevista ao GameSpot. "Infelizmente, foi o contrário. As editoras tinham pouca ou nenhuma disposição para investir no que consideravam um gênero de nicho, especialmente em um formato de grande orçamento".

Com a falta de apoio financeiro, a Red Barrels precisou recorrer ao Canada Media Fund (CMF), que financiou o projeto com US$ 1 milhão. Mesmo assim, não foi suficiente. A equipe usou economias pessoais, cartões de crédito e até garantias de imóveis para arcar com os custos.

"Tudo estava em jogo", lembra Morin. "Trabalhamos horas e horas, numa corrida contra o tempo para lançar o jogo antes de ficar sem dinheiro".

O jogo foi lançado em 2013 e se tornou um sucesso de crítica e público. Até 2018, já havia vendido 15 milhões de cópias. A franquia gerou três títulos principais e o mais recente, *The Outlast Trials*, atingiu um pico de 147.955 jogadores simultâneos — um recorde para um jogo multiplayer de horror no Steam.

No Brasil, onde o mercado de games tem crescido com foco em títulos acessíveis e mobile, o caso de Outlast é um exemplo claro de como ideias de nicho podem se tornar fenômenos com apoio criativo e coragem financeira — mesmo sem o respaldo de grandes editoras.