Quem nunca se sentiu um desastre no dia a dia? Derrubar a comida, ser atropelado por uma bicicleta elétrica, ser urinado por um cão… Essas são as realidades de muitos jogadores. E, curiosamente, isso pode ser uma das melhores razões para se jogar um RPG.
Na maioria dos jogos de RPG, o herói é sempre competente, inteligente e capaz de vencer qualquer desafio. É um sonho de poder: você é o escolhido, o salvador, o tipo de pessoa que não se deixa abater. Mas, às vezes, isso se torna cansativo. Quando tudo dá certo, a história perde o peso.
É nesse ponto que os RPGs que abraçam o fracasso começam a brilhar. Jogos como Baldur's Gate 3, Disco Elysium e The Dark Urge mostram que ser um idiota — ou um ser humano falível — pode gerar histórias muito mais ricas, engraçadas e memoráveis.
Em Disco Elysium, por exemplo, você pode acertar todos os dados, mas ainda assim decidir fazer algo completamente absurdo. A escolha de ser um comunista paranóico que fala sobre o fim do mundo não é por acaso. É parte da graça.
Outros títulos, como Zero Parades e Esoteric Ebb, se inspiram diretamente nos jogos de mesa (TTRPGs), onde o caos e os erros são tão importantes quanto a vitória. Em um dos primeiros minutos de Zero Parades, o jogador entra em um colapso emocional durante uma ligação. No outro, a missão principal é ignorada para se dedicar a um jogo de cartas ou a um monólogo sobre a existência.
Essa mudança de tom mostra que, no mundo dos RPGs, ser um idiota não é um defeito — é um recurso. Quando você falha, mas ainda assim continua tentando, o sucesso ganha um peso muito maior.