Stranger Than Heaven, novo projeto da RGG Studio, promete ser um dos títulos mais ousados da equipe nos últimos anos. Apesar de trazer traços familiares dos jogos Like a Dragon, o jogo se distingue com uma abordagem única em combate, progressão temporal e uma forte carga emocional.
Combate pesado e exigente
O sistema de luta muda radicalmente: os golpes são disparados pelos gatilhos e bumpers do controle, criando uma sensação física intensa. Cada ataque pesa, e a resposta defensiva exige precisão — parar um soco vindo da direita com um parry à direita, por exemplo. A mecânica de esquiva também é crucial, especialmente em combates surpresa.
Os confrontos são brutais: Daito corta gargantas, esfaqueia e espanca inimigos com violência explícita. A mecânica de finalização, com o pressionamento simultâneo de dois gatilhos, permite eliminações violentas em inimigos com pouca vida. O controle exige adaptação, e quem procurar uma experiência mais reativa pode se frustrar.
Mundo que evolui com o tempo
Stranger Than Heaven leva o jogador por décadas de história japonesa, de 1915 a 1943. Cada cidade — Kokura, Kure, Minami — é uma obra de arte em construção. As ruas se transformam com a modernização, e o visual de cada período é cuidadosamente reproduzido: teatros com cartazes antigos, carros antigos roncando, bairros de madeira ao lado de prédios novos.
É impressionante ver como o protagonista, Makoto Daito, muda ao longo do tempo. No início, ele é um homem deslocado, sujo e lutando pela sobrevivência. Com o passar dos anos, ele se torna parte do mundo que o cerca — refletindo a transformação da sociedade japonesa.
Música como coração do jogo
Um dos destaques é o minigame de revista musical. Daito organiza apresentações, escolhe músicas e artistas, e até pode alterar o tom das canções — transformando uma alegre em uma triste, por exemplo. A mecânica lembra os momentos de karaoke dos jogos anteriores da RGG, mas com uma profundidade maior.
Apesar de Snoop Dogg não aparecer no jogo (embora tenha ensinado a fazer cigarros no trailer), a trilha sonora e a atmosfera musical são centrais para a experiência.
Stranger Than Heaven é um jogo que gruda. Não apenas pela jogabilidade, mas pela emoção que transmite. É um trabalho ousado, com um ritmo próprio que pode não agradar a todos — mas, para quem se abrir, promete ser uma jornada inesquecível.