Stupid Never Dies, novo jogo da GPTRACK50, foi apontado como o pior título de 2026 pelo Polygon. O jogo, desenvolvido por ex-produtor da Capcom, Hiroyuki Kobayashi, promete uma experiência colorida e cheia de estilo, mas entrega uma experiência desgastante e profundamente problemática.

Uma história que desrespeita

O enredo gira em torno de Davy, um zumbi que luta contra o Rei dos Monstros para salvar Julia — uma garota humana congelada em um restaurante de shopping. A ideia de um amor impossível entre um morto-vivo e um cadáver congelado já é estranha, mas o jogo aprofunda o desconforto com mecânicas que tratam o corpo de Julia como um objeto: presentes são oferecidos ao cadáver, fotos com o rosto de Davy colado são desbloqueadas com o progresso, e o jogador pode “curtir” fotos dela na vida real, como se fosse um perfil de rede social.

Essa abordagem é vista como um claro exemplo de "fridging" — um arquétipo em que personagens femininas são traumatizadas ou mortas apenas para motivar a jornada de um herói masculino. A crítica destaca que o jogo não apenas repete esse trope, mas o exagera de forma quase intencional, tornando a experiência de jogar profundamente desconfortável.

Combate lento e repetitivo

Apesar da estética vibrante e do visual inspirado em títulos como No More Heroes, o jogo falha em entregar uma jogabilidade satisfatória. O combate é lento, desajeitado e pouco responsivo, o que torna os confrontos frustrantes. A mecânica de roguelike, com dungeon crawling por diferentes níveis acessados por banheiros mágicos, adiciona horas, mas não diversidade.

Os mapas se repetem com temas como vilarejos europeus distorcidos, tundras geladas e jardins flutuantes, com inimigos sempre os mesmos: esqueletos, harpias e peixes monstruosos. O sistema de tempo limitado adiciona tensão, mas também gera frustração quando o relógio acaba no meio de um combate crucial.

Progresso sem sentido

Apesar de ter um sistema de RPG com upgrades, armaduras e uma progressão baseada em "tickets de refeição", o jogo se torna um ciclo vicioso de tentativas, mortes e pequenos ganhos. A experiência acumulada em cada tentativa permite que o jogador suba de nível rapidamente, mas isso não compensa a falta de sentido narrativo ou de desafios verdadeiros.

O título se vangloria de ser uma celebração da "estupidez", mas o resultado é uma experiência que parece mais uma provocação do que uma proposta de entretenimento. A crítica afirma que o jogo só atrai quem quer se entregar a algo sem profundidade — e mesmo assim, o custo é alto em termos de tempo e paciência.

Em resumo, Stupid Never Dies é um jogo que se torna memorável por todos os erros: uma história de amor com zumbi que desrespeita, mecânicas repetitivas e um combate que não satisfaz. Um dos piores lançamentos do ano, segundo o Polygon.

Marca: www.polygon.com