Tim Sweeney, CEO da Epic Games, voltou a atacar o Steam com força ao afirmar que as exigências de divulgação do uso de inteligência artificial (IA) nos jogos são uma 'declaração política forçada' e 'aborrecível'. A declaração foi feita em sua conta no X (antigo Twitter), onde o executivo rebateu críticas feitas por Matt Workman, do time de IA da Valve.
Sweeney argumenta que forçar desenvolvedores a declarar o uso de IA em seus produtos cria um ambiente de 'ódio coletivo' e prejudica economicamente os criadores. Segundo ele, essas exigências são usadas para alvejar desenvolvedores em campanhas de pressão, o que, segundo ele, representa um custo real para negócios e carreiras.
Apesar disso, o próprio Steam já flexibilizou suas diretrizes ao longo do ano. A exigência de informar o uso de IA foi reduzida: agora, apenas o uso em criação de ativos, vozes ou traduções precisa ser declarado. A exigência para código foi retirada, o que mostra um ajuste em resposta às críticas dos desenvolvedores.
O tom do discurso de Sweeney é visto por analistas como uma tentativa de deslegitimar as preocupações éticas e ambientais sobre a IA — especialmente em um cenário onde a Epic tem promovido o uso intensivo de tecnologia generativa em seus próprios projetos, como o novo jogo da Disney que está em desenvolvimento com foco em IA.
Além disso, o CEO foi confrontado com a contradição de que sua própria plataforma, a Epic Games Store, já exige transparência sobre o uso de IA em seus ativos — algo que ele tentou ignorar com uma resposta evasiva no X.
Apesar de o Steam dominar o mercado de jogos PC no Brasil e no mundo, muitos desenvolvedores veem a necessidade de transparência como um passo necessário em um mercado em que a IA está sendo usada para copiar estilos artísticos, plagiar trabalhos de artistas e reduzir custos com mão de obra.
O fato é que, mesmo com as críticas de Sweeney, a demanda por transparência sobre o uso de IA cresce — e muitos jogadores e criadores querem saber se o que estão comprando foi gerado por algoritmos ou por pessoas reais.