Dragon Age: The Veilguard, o último jogo da BioWare antes do encerramento da empresa, foi lançado em 2024 em meio a um cenário de críticas, expectativas frustradas e competição acirrada. Apesar disso, o título se consolida como uma obra sólida, com combate dinâmico, uma narrativa envolvente e um universo rico — mesmo que não tenha sido o que muitos esperavam.
O jogo enfrentou uma jornada difícil desde o início. A BioWare passou por múltiplas reinvenções internas: um protótipo cancelado em 2017, tentativas de adicionar elementos de jogos live-service sob pressão da EA, e uma reinicialização completa em 2021 após o sucesso de títulos narrativos como Star Wars Jedi: Fallen Order. Essas mudanças afetaram o tom e a direção do projeto, gerando desconfiança entre a comunidade.
Na pré-lançamento, o jogo foi alvo de críticas infundadas, especialmente em torno da inclusão de Taash, um personagem Qunari não binário. Muitos influenciadores usaram o tema como bandeira para ataques, mesmo sem terem jogado o jogo. A verdade, contudo, é que a história de Taash aborda diretamente os conflitos culturais dentro do universo de Dragon Age — algo que só se revela com a jogabilidade.
Após o lançamento, o jogo recebeu avaliações sólidas (82 no Metacritic para PS5), mas teve vendas abaixo do esperado — cerca de 1,5 milhão de jogadores nos primeiros dois meses, metade do que a EA esperava. Além disso, foi quase ignorado nos Game Awards, mesmo com méritos para indicações.
Parte desse desempenho pode ser explicada pela concorrência: 2024 foi um dos anos mais cheios da história recente do videogame, com títulos como Astro Bot, Final Fantasy 7 Rebirth, Elden Ring: Shadow of the Erdtree e Balatro dominando o foco do público.
Apesar de tudo, The Veilguard se mostra como um excelente RPG. O combate em tempo real, baseado em habilidades com cooldown, é mais acessível do que o sistema turn-based do passado. A história, embora não profundamente ligada à linha do tempo oficial dos jogos anteriores, mantém o espírito clássico da série: mundos fantásticos, escolhas morais e personagens carismáticos.
Para muitos, o jogo não foi o que esperavam — mas talvez seja exatamente o que a série precisava: uma reinvenção ousada, mesmo que incompreendida. E, como diz um trecho do personagem Rook: "Nós sempre seremos gratos por aqueles cujas histórias nos trouxeram até aqui. E por aqueles cujas histórias viverão conosco para sempre.".
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