A Entertainment Software Association (ESA), entidade que representa o setor de videogames nos Estados Unidos, está pressionando o governo para incluir handhelds de emulação com ROMs pré-carregadas na lista de mercados notórios — um catálogo de sites e vendedores acusados de pirataria e falsificação.

O argumento central é que esses dispositivos são o "equivalente funcional de falsificações". Segundo a ESA, eles se parecem com produtos legítimos: têm embalagens, telas coloridas, interfaces refinadas e aparecem em plataformas como Amazon e eBay. Porém, seu valor comercial vem de cartões microSD ou discos internos com centenas ou milhares de jogos sem autorização.

Apesar do foco aparente em aparelhos baratos e de marcas desconhecidas, o texto da ESA pode acabar afetando dispositivos reais fabricados por marcas reconhecidas como Anbernic, Retroid, Ayaneo e Ayn — que, embora produzam hardware legítimo, são frequentemente associados a vendedores que vendem os aparelhos com ROMs ilegais.

O ponto mais delicado está no impacto econômico: a ESA alega que um único dispositivo pode substituir compras legais de jogos, remasterizações, assinaturas e coleções oficiais, prejudicando várias empresas ao mesmo tempo. No entanto, essa lógica pode se estender a outros produtos, como o Steam Deck OLED ou até smartphones, que também executam emulação.

O verdadeiro problema, na prática, está nos vendedores que aproveitam a popularidade desses aparelhos para vender jogos piratas como diferencial. Muitos deles nem são fabricantes — apenas montam os dispositivos com ROMs e os vendem com promessas de "acesso a milhares de jogos".

O que a ESA precisa é de uma abordagem mais precisa: não atacar o hardware, mas sim os atores que promovem a pirataria. O mercado brasileiro, onde esses aparelhos são populares e acessíveis, pode ser afetado por decisões americanas, especialmente se a lista de mercados notórios for usada para restringir importações.